}

pesquise aqui

22 de dez de 2010

Silmara

Ela era a típica gordinha simpática e de rosto lindo. Tinha aquela coisa boa de falar com todo mundo numa fila de banco, numa festa de empresa, na vida. Eu só a chamava de Sil. Éramos peões numa Empresa que distribuía papel em BH. A gente ganhava pouco, andava de ônibus e se divertia fazendo caricaturas e imitações dos gerentes. De vez em quando descíamos um ponto antes do nosso e bebíamos uma cerveja num boteco chamado A cova.
Sil não era uma grande amiga, mas era divertido estar perto dela. Todo mundo a conhecia e A cova pendurava nossa conta de no máximo 5 cervejas, para pagarmos no fim do mês, porque Sil conhecia o dono do lugar. Um dia na parada habitual da cerveja de quinta feira, ela me disse que queria me dar. Assim, na lata e sem rodeios. Foi falando de umas meninas do escritório que suspiravam por mim (bons tempos...) e duas que afirmaram que já tinham transado comigo(depois os homens é que espalham seus feitos...) e que isso deu a maior vontade nela e pronto. Aquilo me deu um tesão danado. Mulheres falando de um zé ninguém do escritório e querendo provar do meu pau, assim sem cerimônia? Agradeço à vida por momentos raros como aquele.
Eu gosto de ter a ilusão do predador. Gosto das rédeas da situação mesmo quando sou seduzido.
Por isso a partir daquele momento eu queria muito comer aquela garota sorridente e gorducha, popular entre o organograma da empresa e os botecos de cerva gelada. Marcamos de ir num show, ela tinha ingressos grátis, programa zero oitocentos e depois: motel.
Silmara era cheirosa, tinha os cabelos meio anos 50, com uma ondulação bonita.Nos atracamos na primeira musica do show de abertura. Beijo bom, corpo aconchegante, coxas que me engoliram e deixaram no chinelo as magricelas e gostosinhas do escritório...
Fomos os namorados inesperados por quase um ano., passeios de mãos dadas no shopping e cinema no domingo. A gente brigava porque eu sentia ciúme da sua popularidade.
A gente se dava bem porque ela conseguia coisas inacreditáveis com sua popularidade.
Minha homenagem à Sil.
Nesse natal recebi um email dela, carinhoso, com fotos dos filhos em volta de uma árvore de natal.
No PS final algo que me arrancou uma risada saudosa:
"ainda tenho créditos em alguns boteco e moteis por aqui..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário