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27 de fev de 2012

Pensamentos de um carnaval-retiro

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não contaram para nós que o amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: A gente cresce através da gente mesmo.
Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar em uma fórmula chamada 'dois em um': Duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. 
Não nos contaram que isso tem nome: Anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável. Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que  desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz,
a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. 
Ah!, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente! Cada um vai ter que descobrir sozinho.
E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."
(John Lennon)

11 de fev de 2012

Olga

Eu conheci Olga numa dessas festas de empresa, lazer obrigatório e tava chato pra caralho ficar ali.
Ninguém me merece mal humorado, é tipo ser insuportável até para o espelho. Aí tenho uma tática: vou num banheiro mais próximo, lavo o rosto, dou uns tapas na cara, umas palavras de ordem, uma respiração calma e pronto.
Fui em busca do meu divã público, porque tava foda manter o sorriso pra tanta gente sem graça. Entrei. Estava lá na primeira parte da minha terapia, quando ela sai de uma das cabines. Isso. Eu tinha entrado no banheiro feminino. No meio da minha quase síndrome do pânico+fobia social eu nem percebi a ausência de mictórios, a placa com foto da bolsa, a caixa de absorventes em cima da pia... mas Olga, eu não pude deixar de notar. Ela sorriu sacana, parou do meu lado para lavar as mãos e mandou: "Entrei no lugar errado ou foi você?" Eu nem preciso contar o desfecho disso, ou preciso? Compartilhamos nossas experiências em festas chatas, rimos e fomos interrompidos por duas mulheres que não tiveram tanto bom humor com a minha presença no reservado...rs
Olga é um mulherão de 1,70 sem salto. Costas definidas por aula de trapézio numa escola de circo. odeia cigarro, bebe socialmente, tem 2 filhos gêmeos e saiu de um casamento há 3 anos. Olga é sorridente, independente e tem um piercing no umbigo. Amanhã vamos juntos à feirinha do Bexiga, ela disse que é ótimo para tirar fotografia e comer. Só me advertiu hoje por msn que lá não tem banheiro feminino.
Ainda bem que não vou precisar.