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31 de mai de 2011

Virgínia

Ela era uma mulher interessante. Dava aula de história na cidade vizinha à minha, era uma das clientes da minha mãe no salão e fazia o estilo misteriosa. Tinha uns 10 anos a mais que eu e apareceu na minha vida num momento em que eu precisava ser cuidado. Tinha acabdo de descobrir que era pai, minha namorada tinha me deixado, eu estava sozinho.
Da primeira vez que prestei atenção nela, a achei muito esquisita: estava com aqueles rolos na cabeça e ria alto, provavelmente envolvida naqueles papos de salão que a maioria das mulheres adora. Nas semanas seguintes a encontrei algumas vezes e mesmo sem os rolos na cabeça, continuava achando que ela era estranha, desengonçada, quase feia.
Eu e Virgínia tivemos um caso, um affair, um romance regado a papos sobre ideologia, política e vida. Aquela mulher me conquistou com sua inteligência, seus conselhos, seu jeito de me deixar livre e feliz. Minha mãe jamais soube (foi mal aí, mãe.)
Passei a esperá-la na esquina do salão e íamos pra sua casa, transávamos no meio da sua biblioteca, bebíamos dry martini e ela me aconselhava a amar Lara, a perdoar meus próprios erros, a encarar minha nova vida de pai...
minha homenagem à Virgínia, minha doce Virgínia. Até de rolos na cabeça, passou a ser a mulher linda que me ajudou a enxergar o mundo como um homem de verdade.

26 de mai de 2011

Recomendações médicas

Eu ganhei uma cardiologista.  E foi um presentão.
Profissional competente, cirurgiã do Hospital das Clínicas de São Paulo, dedicada, estudiosa e muito preocupada com a saúde de seus pacientes.
Hoje fiz teste ergométrico e uma bateria de exames solicitados por ela. No fim, recomendou que eu mudasse um pouco a dieta, continuasse com a carga de exercícios físicos e claro, parasse de fumar.
Também preciso dormir mais, trabalhar menos, diminuir o álcool...
Segundo ela, os resultados do teste foram incríveis, tenho um coração de menino e como nunca fui sedentário e me alimento razoavelmente bem, tenho pouco com o que me preocupar, a não ser por um detalhe:
Ando experimentando episódios de taquicardia e nem minha médica competente consegue dar um jeito nisso, justamente porque meu coração de menino só acelera quando ela chega perto, me olha sorrindo e se aconchega em mim.  Diante do mistério clínico, minha proposta é uma nova bateria de testes de esforço no próximo fim de semana, em altitude elevada, clima frio, bebendo muito vinho tinto, porque afinal, é sabido que vinho ingerido diariamente é absolutamente eficaz para combater surpresas coronarianas desagradáveis.
Tim-tim doutora! E à nossa saúde!!

24 de mai de 2011

Lilian

Lilian me amou tanto que eu sentia medo dela.
Começamos com uma brincadeira inofensiva, um beijo roubado, um sexo casual, uma combinação mútua e aberta sobre não envolvimento.
Mas ela se envolveu. E não tava no script mas aconteceu.
Quem pode ter controle sobre isso, afinal?
Lilian era bonita, rica, culta, quase uma perfeição.
Eu sou um vira-latas, sem berço, sem estirpe, beberrão e cafajeste. Big mistake, Lilian.
Eu gostaria de ter me apaixonado por ela. Gostaria de vê-la entrar no meu mundo e se lambuzar de mocotó mineiro. Mas não deu.
E quanto mais ela me amava, menos eu tolerava esse amor.
Seus olhos negros grudados em mim enquanto eu dormia, me assustavam. Seu jeito delicado de dobrar a roupa de cama da minha cama me deixava levemente irritado. Como eu poderia ser capaz de rejeitar amor e dedicação?
Minha homenagem à Lilian. Ela quebrou as regras e eu a culpei. Mas quem sou eu afinal para levantar bandeira de regras?
Foi isso que ela me perguntou antes de ir.
E ela tinha toda razão.

23 de mai de 2011

Denise

Denise desfilava decotes desconcertantes.
Denise dominava, disfarçava, dissuadia.
Denise destilava dualidades delicadamente.
Demônio doce, Denise.
Deusa, Denise.
Delícia, delícia, delícia.

19 de mai de 2011

Status: amarradão.

Estou feliz.
Felicidade que acontece sem a gente esperar por ela, tipo surpresa, que citei no post anterior, é a melhor de todas.
Estou especialmente feliz.
E meu motivo tem nome, sobrenome e um estetoscópio pendurado no pescoço.
Estou amarradão.

16 de mai de 2011

Surpresas

Às vezes a vida fica tão previsível, com horas e datas em seus devidos lugares.
A TV ligada sempre à mesma hora e a mesma música na vitrola gasta pelo som habituado a estar ali.
O microondas que avisa da lasanha ou do risoto ou da torta salgada. Mesmo tempo, mesmo bip, tudo igual.
Quando o interfone toca pra quebrar o que aparentemente está nos lugares certos, é a minha hora de sorrir.
E isso nem estava planejado.
Adoro uma surpresa.
Principalmente se ela chega sem calcinha e morta de fome.

Cátia

Ela é daquelas mulheres que aparecem do nada, quando você menos espera e vai mandando em você, mudando o sofá da sua sala de lugar e acabando com a sua vida desregrada pela cerveja e madrugas.
Na verdade, a impressão que se tem é que ela jamais saiu do seu mundo e que estava por ali, à espreita, esperando a chance perfeita de causar o grande impacto ao dizer: voltei.
Cátia e eu já fomos amantes, amigos, namorandos, namoridos e mais um monte de outros nomes que nos caberia, se a gente coubesse em algum deles. Mas a verdade é que a gente nem cabe na gente e sabemos disso muito bem...
Ela tem uma voz desconcertante e um jeito de passar as mãos pelos cabelos que é só dela.
Ela gesticula, fala na lata, troca idéia com o garçom do bar e depois me puxa discretamente pela gravata e diz que está a fim de me dar, assim, como quem pede mais açucar num café.
Minha homenagem de hoje vai para essa mulher muito.
Muito bonita, muito sexy, muito louca e de quem sou  fã número 1, apenas e simplesmente, porque ela não me deixa ser outra coisa.

10 de mai de 2011

felicidade

A imagem das pernas esguias e do sexo úmido,  faz meu pau entender que a hora é dela e só dela.
Vou despindo seu vestido com a velocidade lenta de um filme francês. Quero que seja demorado, porque tem que ter valido esperar cada segundo.
Vê-la soltar o seu gemido grave e seco é o meu fetiche.
Minhas mãos entre pêlos e pele, entre lábios e cheiros, entre gostos e sorrisos.
Felicidade, se chegou até aqui, por que não fica e toma mais uma?

9 de mai de 2011

O grande poder

Ontem foi o dia das mães. A todas essas corajosas, meus parabéns. A verdade é que tenho um respeito imenso por esse poder infinito nas mãos de vocês. Talvez, muitas de vocês nem tenham se dado conta dele, mas aqui vai minha teoria conspiratória.
Espero que compartilhem e compreendam:
Ter um filho é a mais importante decisão que alguém pode tomar na vida. É também a decisão mais irresponsável que alguém pode tomar na vida. Povoar o mundo, aumentar as estatísticas, piorar a poluição, criar mais conflitos entre povos e claro,
amar incondicionalmente.
Essa poderosa máquina de fazer gente, tem uma espécie de  botão ou controle remoto. E esse bagulho está nas mãos delas.
Esse é o maior poder dado pela natureza à mulher. Claro que elas precisam de nós, ou pelo menos de parte de nós, mas quem aperta o botão, quem muda o canal, quem programa e desprograma essa coisa de gerar um novo ser, definitivamente, é a mulher.
Vc pode estar louco para ser pai. A decisão é dela. Vc pode odiar a idéia de ser pai, a decisão ainda é dela. Vc pode estar amadurecendo essa vontade e ela dizer que respeita isso, mas ainda asim... é ela quem vai marcar a hora e o local. Você pode se achar esperto e vestir seu atirador de elite da tal borracha impermeável e mesmo assim a mulher ainda terá nas mãos, (entendam mãos como quiserem), o tal controle que fará alguém, nesse mundão de meu Deus, ter seus genes e continuar propagando-os sucessiva e infinitamente.
Talvez seja parte da sabedoria divina ter deixado a povoação do planeta nas mãos de quem entende.
Talvez.
Mais uma homenagem a essas poderosas criaturas, que mandam e desmandam nesse mundo e quem ainda se nega a enxergar isso, vai levar muitos sustos  e tombos por aí.

5 de mai de 2011

Frases Parte1

Seleção de frases, ditos e pérolas femininas que tenho ouvido/lido por aí e anotado no meu caderninho para vocês deleitarem-se e entenderem um pouco mais do meu fetiche por elas:

"Eu gosto dele, mas podia ser um pouquinho mais macho, né?"
"Ontem a gente foi pra cama e ele nem pra elogiar meu cabelo antes. Poxa, eu tinha acabado de sair do salão!"
 (frases ditas pela mesma mulher, sobre o mesmo cara, com intervalo máximo de 6 horas)

"Ah, odeio usar calcinha." (de uma senhora de mais de 60 anos)

"Tinha vontade de ser homem na próxima encarnação, só pra poder comer uma mulher e não telefonar no dia seguinte." (de uma mulher que se diz defensora dos direitos femininos)

"Ele é meu número, mas como estou acima do peso ainda não tá cabendo..." (de uma fofinha bem humorada)

"Eu gosto do amor. Ele que parece não ir com a minha cara." (de uma mulher de 25 anos, desiludida com o fim de mais um namoro.)

"Meu cabelo tem personalidade e hoje ele tá com a macaca." (de uma menina de no máximo 12 anos, no metrô)

"90% dos homens que eu conheço, só querem me levar pra cama. Tenho culpa de ser assim, irresistível?" (de uma mulher linda e incompreendida)

"A cabeça veio com o corpo ou vc comprou essas peças perfeitas em lojas diferentes? (cantada deliciosa, numa balada paulista)

"Se eu beber, fudeu. Dou pro primeiro que pedir. Ainda bem que vai ter cerveja na festa" (da mesma mulher linda, disponível e sempre incompreendida)

"Preciso arrumar um namorado urgente. Há tempos não observo como está a pintura do teto do meu quarto." (de uma mulher de 35 anos, ironizando a necessidade de fazer sexo. Genial.)

"Tá mais fácil encontrar a Elisa Samúdio, do que a chave de casa na minha bolsa." (de uma amiga tuiteira)

"Comprei um vibrador há 3 meses e nunca usei. Gosto de ser conquistada, não tem jeito..." (de uma mulher com muito senso de humor)

"Meu útero clama por um filho. Só falta agora um espermatozóide chamar meu óvulo para jantar." (da mesma bem humorada, ainda justificando a falta de tesão pelo vibrador)

"Meu sonho era cantar bem. Mas a vida decidiu que ter bunda dura e redonda seria melhor pra mim." (do twitter de uma amiga com uma bela retaguarda e insatisfeita com as cordas vocais)

-Por favor, me leva pra jantar num lugar inóspito! (ela)
-Heim?? (eu)
- ... É que eu estou de dieta. (ela, uma mulher de 32 anos, formas perfeitas, no nosso 1o. encontro)

" Eu disse pra ele: Estou menstruada, mas segundo meu ex-marido, campo molhado não adia jogo." (de uma mulher bastante direta, falando da primeira vez que foi ao motel com o atual namorado)

-Não tenho uma roupa pra sair e ainda nem quitei o cartão de crédito esse mês.(ela)
-Gastou em que? (eu)
-Roupa. (ela)

"Eu tenho tanto ciúme de vc, que prefiro deixar vc solto e longe do que com essa cara de safadeza e simpatia do meu lado." (de uma "namoranda" louca e adorável)

Agora repete comigo: tem como não amá-las??

3 de mai de 2011

Cristiana

Ela foi minha melhor amiga de faculdade por uns dois anos. Depois disso,se mudou para o Paraná  e trancou a matrícula.
A gente era dupla para os trabalhos quando estudávamos e para a cerveja quando matávamos aula.
Numa turma absolutamente masculina, Crica, como eu a chamava, era a rainha do pedaço.
Batia no peito pra dizer que nunca teria nada comigo. Éramos amigos e só. Ela me apresentava garotas, eu apresentava garotos pra ela. Quando alguém brincava e dizia que ainda ia rolar entre a gente, ela era categórica: Entre homem e mulher a amizade é possível sim. Nada a ver eu e Rubão!!
Chegava a ser ofensivo, mas eu fui me acostumando com a possibilidade de ser apenas amigo de uma mulher atraente como Crica. A vida é injusta...
Aí um dia a gente bebeu. Muito. E choveu demais na cidade. Chuva e cerveja: dupla infalível!
Nem sei em que circunstâncias a gente começou a se beijar, mas foi muito bom. Estranhamente bom.
Aquela mulher no meio da chuva e depois no meio de mim. Com a intimidade de uma irmã.
Minha homenagem à amizade. Sempre tem um colorido irresistível nesse sentimento.

2 de mai de 2011

Gozar junto. Por que?

Ontem voltei de umas férias curtas pela Argentina, o que explica meu sumiço temporário do blog. No aeroporto de Buenos Aires comprei uma revista portenha, sobre comportamento.
Dentre as matérias que abordavam carreira, dinheiro, sexo e relacionamento, havia uma que falava sobre orgasmo simultâneo. Achei graça e resolvi trazer o tema para dividir com vocês:
Algém inventou que essa coisa de gozar junto é ter sintonia fina e que casal que não alcança essa proeza tem menos química que os outros. O pior é que tem um monte de sexólogo no mundo repetindo o mantra como se fosse uma verdade absoluta.
Na minha modesta opinião, mais uma mentira deslavada da cartilha faça sexo não faça amor. Gozar ao mesmo tempo demonstra sim que há um esforço da parte de ambos para algo sair sincronizado, mas isso não tem nada a ver com química ou entendimento no sexo. Isso tem a ver com treino, perspicácia, esforço físico e emocional. E quando acontece naturalmente?  Ah, legal! Que beleza. Não vai ser sempre assim, acredite.
E vamos ao meu ponto de vista, que é o outro lado disso: E quando cada um tem seu momento e o outro pode contemplar isso com MUITO prazer? E quando eu estou tão concentrado nela que a temperatura elevada da sua pele, os olhos seimicerrados, os batimentos cardíacos e tudo que acontece com seu corpo, passa a ser alimento para o meu gozo?
Assistir uma mulher umedecer, enlouquecer, vibrar(no sentido de tremer mesmo), é um dos grandes baratos da minha vida. Não me tirem isso com esse papo de que o orgasmo simultâneo é muito melhor.