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8 de mar de 2012

O dia delas

Tirem os sapatos altos, o tênis, a sandalinha rasteira.
Deslizem os pés nus sobre as panturrilhas, sintam, o quão macias vcs podem ser.
Tirem toda a roupa e tentem se espreguiçar demoradamente. Olhem-se no espelho, sensualizem, sintam-se divas. Não importa se há uma gordurinha aqui ou ali, admirem-se. Vejam-se além dessa beleza aí que a natureza deu de presente. Deixem o espelho refeletir a nudez e com ela a coragem que há em vocês.
Deixem o corpo relaxar, os cabelos se soltarem, deixem o olhar se perder e se achar num mundo distante, onde há menos cobrança e chocolates não engordam. Onde homens são gentis e valorizam ter uma fêmea sentada ao seu lado, ou em cima de você.
Um mundo onde a maternidade é apenas uma dádiva sem toda aquela parte chata de ter que sertudoaomesmotempo.
Riam alto, gargalhem, sintam-se loucas engraçadas, desinibidas, lindas.
paquerem na rua, fumem um cigarro de bali, comam uma sobremesa boa, façam sexo como selvagens deliciosas.
Vocês merecem.
Vocês merecem.
Vocês merecem.
8 de março, o dia delas.

6 de mar de 2012

Bucetas parte 1934

Eu não tenho palavras para descrever quanta beleza vejo numa buceta.
Anatomicamente é perfeita, mas ainda assim, vou um pouco além das dobras, desdobras, saliências. 
Eu falo do conceito buceta. Aquela que se torna abrigo do meu pau pra me fazer feliz. 
O melhor abrigo do mundo.
Um brinde a ela.

2 de mar de 2012

Jeane

Mãe de 6 filhos. Catadora de lixo em Diadema. Mãos calejadas, lábios ressecados por falta de sorrisos.
Jeane é tão distante do meu mundo de cartas marcadas, noites insones, sextas com happyhour, cama rotativa.
Jeane parece tão mais digna e eu pareço tão menos.
Vamos tirar seu emprego, um grande arranha-céus será construído, vai ficar lindo né, arquiteta com bolsa de grife?
Vai ser duro, doutor. Balbucia uma mulher que não estudou nada, mas aprendeu que o mundo é dos caras que chegam em bando e tomam posse sem perguntar se pode ser desse jeito mesmo.
Ali, no meio de coisa nenhuma, eu vi nos olhos dela uma resignação incomum ao sexo forte.
E sob o sol de 36 graus, eu ofereci uma água e perguntei da sua vida, elogiei a força física, enquanto alguns dos "meus" se entreolhavam incrédulos.  Mal sabem eles que naquele momento estava tão constrangido de ser eu que trocaria de vida com ela.
Jeane me contou dos filhos, das contas, do sustento feito de lixo, e me falou com o mesmo olho resignado,  da dor de não poder voltar atrás e fazer diferente.
E eu pensei: E quem é que pode, Jeane?
Ninguém.