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18 de ago de 2011

Bia

Toda Beatriz é Bia. Nem toda Bia é Beatriz. Ela era Beatriz e mais 3 sobrenomes igualmente bonitos. Sua beleza era algo que não se vê todo dia, impossível confundi-la, improvável esquecê-la.
Bia, 41 anos, malhadora compulsiva, QI acima de 100, sorriso sincero.
Nos vimos umas 3 vezes antes da apresentação formal. Ficamos íntimos após o terceiro copo e a quarta dose foi na minha cozinha, enquanto eu preparava um sanduíche com salaminho e azeitona. Ela comeu dois e disse que continuava com fome. Fome é aquela coisa boa que a gente tem vontade de matar, primeiro com os olhos, depois com o olfato e depois com as vísceras. Eu adoro sentir fome.
Bia sentia a fome gostosa que uma mulher com as qualidades certas sabe ter.
Comemos alguns sandubas de salaminho em outras noites, acompanhados de doses que iam de suco de maracujá a tequila.
Minha homenagem à Bia. Senso de humor, inteligência e fome.
E uma mulher com fome, sempre abre meu apetite.

Quero uma vida caretinha

Tem um momento na vida que a gente olha pro copo cheio, amigos fanfarrões, bundas redondas e pensa: E daí?
A gente chega em casa mais cedo, o livro na página 43 continua ali, no mesmo lugar. Pia cheia de louça, cheiro de cigarro na sala.
O Jack Daniel´s já não é tão saboroso como antes e a concentração não é tão boa para passar da página 45.
A vida... dias emocionantes e outros nem tantos.
Se fosse doce, se chamaria romeu e julieta. Mas é agridoce e se chama vida mesmo.
A idéia de ser careta me assustou desde sempre. O frenesi do inesperado segundo seguinte sempre me deu tesão. De repente, meu olhar muda de direção e meu corpo se sente cansado. Sou um penetra, mas a festa da vida caretinha se apresenta com entrada vip e sem open bar. Me parece razoável.
A festa careta tem o seu valor.
Vamos a ela, pelo menos até que tudo volte ao normal.

10 de ago de 2011

Apesar de

Esse é o espaço que eu elegi como meu canto da alegria. Conto meus causos, revivo histórias, faço homenagens.
Infelizmente a vida corre, independente do meu canto da alegria. A vida pode ser bem cruel quando a gente quer ser feliz.
Citei minha mãe em alguns posts, bem antes dela ir. Eu sentia falta do sorriso dela, então eu a trazia pra cá, como quem leva flores amarelas pra dentro de casa. Dona Sônia era meu buquê de flores amarelas.
Se eu estava triste, ela sempre sabia. Aí me ligava, mandava um recadinho no meu celular, dizia pra eu aparecer que ela faria meu rango preferido. Eu era o único homem daquele harém, mas o macho alfa sempre foi ela. A mulher forte que fazia da capacidade de amar, sua grande profissão.
Se ela estivesse aqui lendo o segundo post seguido em sua homenagem, com certeza diria algo do tipo:
"levanta, sacode a poeira e vai viver!"
Ainda que haja dias que isso pareça impossível, é exatamente o que eu vou fazer.

5 de ago de 2011

Ela se foi.

Sou um bocado teimoso, porque ela era assim.
Sou desbocado, transparente, riso frouxo. Cresci admirando isso tudo nela.
Choro fácil, mas quase ninguém vê. Foram poucas as vezes que a vi derramar lágrimas. Suor era mais comum no rosto dela.
Gosto de uma cerveja, de um samba de roda, rezo antes de dormir e adoro feijão. Ela fazia o melhor do mundo.
Ela se foi e mal se despediu.
Um susto. Uma dor.
Mulheres como ela deveriam ficar.
Pra sempre.
Mãe, você era minha grande inspiração. Como é que eu faço agora?
(homenagem a D. Sônia. Meu peito dilacerado, meu coração em frangalhos e minha alma triste. Mais triste do que nunca foi.)
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