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6 de dez de 2010

Atriz de televisão.

Não sou propriamente um pegador, já perdi muito pênalti feito, ou seja: sou mais um na multidão: nada de muito especial, na verdade.
Por isso mesmo, o dia que eu e aquela mulher linda e famosa rolamos no meio daquele camão, eu achei que não era comigo. Não vou citar nomes, porque gatas famosas não se orgulham de sair com vira-latas.
O bar era o Jobi, fica ali na Ataulfo- Leblon. Região nobre do Rio de Janeiro. Verão de 2002, três dias de férias pela cidade maravilhosa, revendo grandes amigos. Fiquei hospedado em Ipanema, porque trabalhei por lá na semana anterior e consegui umas diárias a mais por conta. Sol escaldante, praia lotada e ela: Musa.
Bebia cerveja como gente grande, ria alto, batia na mesa defendendo o teatro independente e malhando a rede Globo. Eu fiquei fissurado nas sardas, na pele branca e pensei: "O não eu já tenho. Correr atrás do sim é minha especialidade..."  Cheguei na cara dura, doze chopes na idéia, peito estufado, barriga encolhida:
-Li numa entrevista que os homens têm medo de você e não chegam. Verdade?
- Ela sorriu amarelo e meus amigos na mesa ao lado, que duvidaram do meu gesto, gargalharam.
 Ela fez cara de poucos amigos, pegou um cigarro que acendi prontamente e mandou:
-Quer um autógrafo?  - metidinha a estrela, eu pensei. Mas não me fiz de rogado, já que estou no inferno, trato de abraçar o capeta:
-Quero, mas não em público. - Saí meio sem graça mas sorrindo, voltei à minha mesa e começamos uma troca devastadora de olhares, a ponto de eu achar que tinha bebido demais e estava imaginando coisas. Não estava.
-Três horas depois estávamos tirando a areia da praia, no box blindex do meu flat em Ipanema(ser um duro com bom emprego me dá grandes vantagens.)

Conheci uma mulher insegura com o próprio corpo(lindo por sinal), vi uma pessoa assustada com tamanha cobrança, embalei uma menina que disse sentir medo do tempo e da vida.

Voltei pra BH e trocamos uns emails, ela me mandou dois convites para uma estréia em SP e uma foto que tiramos juntos e nus -ela disse que eu podia ganhar uma grana, se estivesse arruinado.
Incrível como algumas pessoas se escondem atrás de uma capa de soberba e altivez, mas são criaturas frágeis.
Talvez fosse mais fácil assumir essas debilidades e brincar com elas, ao invés de disfarça-las.
Minha homenagem a esta mulher bonita e marrenta.
Toda vez que a vejo na telinha, me pergunto se ainda é tão difícil ser ela. E o meu autógrafo, acreditem, eu esqueci de pegar.

4 comentários:

  1. Não conta quem é nem sob tortura?

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  2. Eu não estava lá, mas quem estava conta que foi beijo a la paparazzi!! haha Garanhão!!

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  3. Anônima: assunto encerrado, ao menos que negociemos. As bases de negociação estão no seu email. ;)
    Fernandinha, Fernandinha... Menos, bem menos. rs

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  4. Vc é um rapaz mau, muito mau... ;-)

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