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1 de set de 2010

Isabel

Eu queria uma mulher pra vida inteira.
Em determinado momento da vida, cansado de perambular por aí, conheci Isabel. Não foi uma paixão avassaladora, mas foi bom.
Ela queria ter filhos, um cachorro e uma casinha no interior quando fizesse 50 anos.
Eu estava desiludido. Amores que perdi por incompetência e outros que nem consegui alcançar por descaso mesmo.
Então chegou a Isabel e fui racionalizando a possibilidade de esquentar pés no inverno, ter um bebê em casa, comprar um labrador e me desapegar da loucura e da poluição da capital.
Se grandes paixões davam mais dor de cabeça que felicidade, então, algo que fosse construído com solidez e tempo, poderia ser uma relação durável, estável que não tem cheiro, não tem cor e não solta as tiras... fail.
Não dá pra planejar dessa forma. As mulheres, sábias e absolutas no assunto,  descobriram isso bem antes que nós.
Amor não é promoção de supermercado e não está à venda em qualquer lugar.
Um belo dia, com planos feitos e aliança no dedo, Isabel me disse que tinha algo esquisito. Eu como bom representante da minha espécie, permaneci calado. Elas sempre tem coragem de antecipar o assunto delicado de três letras que chamam de fim.
Lá pela décima vez de algo esquisito, concordei.
Ali ficamos, pelados, olhos colados no teto e nenhuma outra palavra foi dita até que Isabel se levantou, vestiu a roupa, fez um rabo de cavalo e rompeu com o silêncio: "Passo à noite para pegar minhas coisas."  Ela tirou a aliança no elevador e deixou na portaria - aí já foi "mulherice", pra ferir o covardão aqui.
Conversamos 5 dias depois, demos um abraço longo e ela foi pra Londres, alguns meses depois, estudar história da arte e ser feliz.
Essa é minha homenagem a Bel. Uma mulher sábia, decidida e bonita de doer. Mais um projeto bacana da natureza, do qual eu tive a sorte de chegar bem perto.
Soube que comprou uma pitbull e planeja gêmeos para o próximo natal.
Quanto a mim, nem sei se é desejo verdadeiro essa coisa de uma mulher pra vida inteira... ela cansaria de mim depois dos primeiros 100 dias de sexo e bitucas de cigarro no carpete...

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