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31 de ago de 2010

a porra da internet contra a naturalidade do amor real.

Ela disse que não gostava de 69. Perdia a concentração e nunca gozava. Acabava fingindo para a tortura acabar logo.
E me disse que adorava sexo matinal, antes de escovar os dentes. Comentou uma vez que não resistia a um vinho tinto argentino, detestava acampar e só usava Angel feminino. Nos conhecemos através de uma agência de turismo. Eu fechei um pacote e viajaria junto com um grupo de desconhecidos. A empresa criou uma página com o perfil de cada um. Funcionava como um facebook e tinha até chat. Bastava criar um login e senha e bingo!
Lá estava vc no meio de mais uma rede social.
A idéia era bacana e moderna e me empolguei com a imagem da loira sorridente(sem nomes dessa vez) que apareceu entre as fotos dos meus futuros parceiros de viagem. Começamos uma conversa despretenciosa. Ela era uma mulher livre, inteligente e muito bonita. A merda é que uma fêmea virtual é uma modalidade nova de mulher. Mais complicada e arriscada.
Ficamos nessa por uns 30 dias. A coisa é tão viciante, que a gente fica fissurado, esperando ansiosamente, a bolinha ficar verde e a tal musa aparecer pra nos vender a idéia que ela, a mulher ideal, está bem ali, do outro lado da tela, dentro do alcance do sortudo que a encontrou. Nosso papo fluía fácil, algumas divergências eram devidamente ignoradas para manter a tal idealização.
A loira me falou de sua infância, de seu ex-marido, da sua mãe judia e me deu tantas informações sobre preferências e não preferências que quando fomos pra cama, no quinto dia de viagem, eu fui direto na cartilha que ela havia montado pra mim: Não ao 69(que eu acho delícia), sim ao sexo matinal com bafo de cerveja de ontem (o bafo de cerveja é dos piores do planeta),
sim ao vinho tinto argentino(nenhum sacrifício aqui) e por aí vai...
A coisa foi mecanicamente calculada e obviamente, não rolou.
Não quero ser radical e retrógrado. Ficar aqui bancando o tiozão que vai maldizer a tecnologia, mas...
Uma salva de palmas ao toque! Um brinde ao olhar que diz e à mão que conduz! Todos os Vivas! ao conhecimento que se constrói com chopes numa sexta à noite e depois com telefonema gentil no sábado antes do meio dia. E sejam dados Bravos! à surpresa do perfume que ela vai usar e ao impacto da descoberta da cor de sua lingerie. E me respondam os adeptos dessa modalidade:
Porque a foto é sempre de uma dúzia de estações passadas?
A porra da internet fode com a naturalidade do amor real.
E se não há nessa vida, uma amor real, que seja então mantido o sonho dele existir em algum lugar.
Porque sonhar será sempre um convite ao conhecimento profundo do que está dentro do outro, e eu não vou abrir mão disso enquanto estiver por aqui.

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