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2 de mar de 2011

Clara

Clara tinha 28 anos quando a conheci. Era uma menina machucada pela vida ruim. Tinha saído do interior de Minas e chegado a BH pra tentar a sorte há dois anos. Estava magra e não gostava de sorrir.
Fazia programas na Zona Grande há alguns meses e mandava dinheiro pra família pobre no final do mês. Pouco dinheiro.
A primeira vez que a vi era antes das 9 da manhã, ela tinha a maquiagem borrada e estava exausta. Mesmo assim, estava linda. Não aceitou a média com café que eu ofereci, mas me pediu um cigarro. Eu insisti no pão com manteiga e em troca do cigarro ela deu duas mordidas.
Me apaixonei por aquela mulher frágil de vida difícil. Quis levá-la pra casa, fazê-la mudar de vida, arrumar um emprego pra ela.
Os olhos verdes e a pele branca. As coxas macias e o perfume de flor. Nunca paguei pelo amor que ela me deu. E nunca acreditei que ela fosse minha. Vivi na íntegra um sentimento que quase ninguém entendeu.
Nem ela.
Por isso me deixou no dia em que o ciúme me corroeu a alma e me abateu. Eu justifiquei : "Sou de carne e osso, porra! Sou homem!"
E ela respondeu enquanto vestia a meia calça:
"Pois é. Mas é de um superhomem que estou precisando."

2 comentários:

  1. Cara Mably Maia Trindade,
    Doer e sangrar é parte do pacote. O amor tb pode render uma bela história de paz, apesar da dor. Mas viver dói e não tem nada mais "vida" que amar.
    Um beijo!!

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  2. Será, Anônima?? Nunca pensei nisso, mas pode ser...

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