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15 de jun de 2011

Clarice

Ela nunca soube que eu existia. Foi amor platônico, daqueles que a gente quer manter platônico pra não estragar.
Era amor ingênuo, apesar das punhetas diárias pra ela.
Era amor bonito, apesar de nunca ter havido uma carta de amor. Clarice era tão incrível que na minha imaginação romântica, eu preferi deixá-la assim, numa espécie de pedestal. A realidade acaba com a perfeição, invariavelmente.
Eu esperava a hora dela sair do colégio. Livros colados nos peitos, pra me torturar. A seguia de bicicleta até ela entrar na portaria e fechar o portão de grades sem olhar pra mim. Eu a protegia sem que ela sequer imaginasse. Clarice tinha cheiro de camomila. Clarice tinha olhos de lua cheia. Clarice tinha cintura de pilão.
Não sei era ciumenta, se era louca tipo 1 ou 2, não cheguei a saber o que tocava no seu walkman...
Seus pais se separaram e ela foi embora com a mãe no dia que tomei coragem de me apresentar. Sofri e me martirizei por ser tão mané, mas hoje eu sei que o beijo que ela nunca me deu, faz dupla perfeita com minha memória de adolescente tímido e sonhador.

4 comentários:

  1. Jura que um dia vc já foi um adolescente tímido? hahaha
    #emailaguardandoresposta

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  2. Triste por não receber notícias suas... :(((

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  3. Minha linda, Já pedi resgates dos emails perdidos ao gmail. Nao foram apenas os seus. Beijos e saudades

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